
Escrita por Ery Lopes
A princesa sorriu, esperançosa de que o artesão realmente pudesse ter uma ideia positiva diante do problema que se apresentava.
— Então…? — ela indagou — Qual é a ideia?
Ele tirou sua mochila das costas, abriu-a e de lá tirou uma de suas criações.
— Uma harpa? — a princesa perguntou, surpresa.
— Sim. Vamos vencer o dragão com isso.
Era na verdade uma miniatura de harpa. Já havia um bom tempo que o artesão a tinha confeccionado para si mesmo. Ele adorava tocá-la, embora sempre tocasse melodias melancólicas.
Ela ficou um tanto desapontada, mas antes de perder todas as esperanças, preferiu perguntar:
— E… Eu posso saber como vamos vencer o dragão com… com uma harpa?
O jovem artesão, ainda que tivesse um semblante melancólico, respondeu com confiança:
— Se queremos atravessar o rio, a única forma de fazer isso é tirando o dragão do nosso caminho…
Carol não resistiu à tentação e interrompeu o artesão:
— E nós faremos isso com… uma harpa?
— Sim.
— E você já fez isso alguma vez?
— Não, alteza, mas hoje parece ser um bom dia para isso.
Ele levantou-se e apontou o caminho em direção ao rio:
— Está disposta?
Ela ficou pensativa por alguns instantes, mas logo mais se ergueu novamente. Não apenas por que a situação exigia uma atitude, como Carol também agora estava curiosa sobre o "poder daquela pequena harpa".
— Estou disposta sim! — disse a moça, pondo-se a caminho ao lado do rapaz harpista.
* * *
Enquanto isso, no palácio real, não encontrando a princesa em parte alguma, o rei e a rainha começaram a admitir a possibilidade de sua filha adotiva ter deixado o castelo. E àquela altura, só havia um lugar para onde ela talvez fosse:
— O Rio do Dragão Melancólico! — disseram ambos os monarcas juntos, e ao mesmo tempo apavorados.
— Será que ela faria isso? — a rainha levantou a questão.
— Eu aposto que sim! — respondeu o rei — Você não viu a coragem dela ontem à tarde, acalmando a multidão furiosa?
A rainha ficou ainda mais tensa e apressou-se em pedir:
— Depressa! Mande os cavaleiros irem buscá-la!