
Escrita por Ery Lopes
Em cima do Monte do Oráculo havia uma pequena aldeia, onde moravam os índios guardiões da caverna, cuja entrada ficava entre dois enormes arbustos. Não havia qualquer portão ou grade ali; a entrada ficava todo o tempo aberta.
Quando os índios avistaram a chegada da Princesa Carol e do jovem artesão, todos ficaram parados e enfileirados, como que criando um corredor para que os jovens passassem.
Assim eles seguiram por essa fileira e se aproximaram da entrada da caverna. Nessa hora, um dos índios fez sinal indicando que apenas uma pessoa por vez poderia ir consultar o Oráculo.
O rapaz se adiantou em falar:
— Primeiro a alteza, por favor!
Ela agradeceu a gentileza e então entrou na caverna, enquanto o jovem ficou aguardando sentado em um banco de madeira, debaixo de uma das árvores.
A entrada da caverna era escura e só depois de caminhar um bocado é que se podia ver luzes de uma fogueira mais adiante. Lá dentro era como que um quarto. Tinha um pode de água, um tapete colorido e alguns móveis bem simples, como uma cama, uma cadeira e um pequeno armário.
A princesa então avistou um velhinho sentado em um banquinho baixinho próximo à fogueira. Certamente, aquele era o Oráculo. Ele apontou para o outro banquinho, do outro lado do fogo, sinalizando para ela se sentar. Ela obedeceu. Daí ele se levantou, foi até seu armário e abriu um pequeno pote, de onde tirou umas sementes pretas que ele lançou na fogueira. As chamas subiram e uma fumaça perfumada tomou conta da caverna. Era um cheiro muito agradável e fez a moça se sentir mais tranquila.
Sentado novamente em seu banquinho, o Oráculo fechou os olhos, juntou as mãos como que em prece e falou suavemente:
— A princesa quer uma consulta…
— Sim, se possível! — ela respondeu.
Depois de uma pausa, o velhinho perguntou:
— É uma coisa importante? Muito importante?
— Sim, muito importante, senhor! E não apenas para mim, mas para todo o povo do nosso reino.
O oráculo atirou mais algumas sementes na fogueira e o fogo outra vez se ergueu forte. Outro aroma agradável perfumou o ambiente.
Instantes depois, o senhor perguntou:
— É sobre um doce que por lá inventaram, correto?
— Sim, exatamente! — confirmou a princesa, que estava surpresa pelo Oráculo saber do que se tratava.
Ele voltou a atirar sementes na fogueira, fazendo outra vez as labaredas subirem e exalar o agradável aroma.
— A solução é simples!
A moça sorriu com a resposta afirmativa e implorou:
— Então, por favor, me conte: qual é a solução?
* * *
Do lado de fora da caverna, o jovem artesão estava em trabalho. Ele pegou um bambu e começou a cortar pedaços, sendo o próximo pedaço sempre um pouco menor que o anterior. Depois, ele enfileirou os canos e os amarrou com palhas secas, construindo assim um tipo de flauta. Então ele começou a soprar na pontinha dos canos, produzindo assim sons agradáveis. O apito dos canos mais longos soavam notas mais graves, enquanto que os canos menores reproduziam notas mais agudas.
Os guardiões da caverna ficaram todos encantados com aquela arte e reverenciaram o jovem artesão, que então presenteou um dos índios com a flauta que havia acabado de confeccionar.
Nesse momento a princesa deixava a caverna tão sorridente que parecia que iria voar.
— E aí, alteza? — o artesão quis saber — O Oráculo deu alguma solução?
— Sim! — ela respondeu feliz.
Ele mal podia esperar para saber, então pediu:
— E qual é a solução?
— Eu contarei, certamente, mas não há tempo a perder. O Oráculo quer conversar com você imediatamente.
O jovem não cabia em si de curiosidade. O que será que o aguardava lá dentro da caverna? Bem, só havia um jeito de descobrir.