Carol e a Invenção do Chocolate

Escrita por Ery Lopes

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Capítulo 13


Respostas II

 

O jovem artesão adentrou a caverna e chegou até os aposentos do Oráculo.

— Sente-se, jovem. — disse o senhor.

O rapaz fez como lhe foi pedido e então observou o senhor atirar sementes na fogueira, fazendo as chamas subirem e delas exalar a deliciosa fragrância pelo ar.

Logo mais o Oráculo prosseguiu falando:

— Eu sei quais são suas maiores dúvidas… Primeiro você quer saber exatamente aquilo que seu avô veio perguntar ao Oráculo, anos atrás, certo?

— Certo… — o rapaz confirmou emocionado.

— Sim, o seu reino foi um lugar muito feliz, em tempos remotos. O povo era trabalhador, estudioso e corajoso para enfrentar os problemas da vida. Porém, alguém lá descobriu essa caverna e o Oráculo. Então toda a gente começou a subir o monte atrás de consultas. E consultavam o Oráculo desde as coisas mais simples até as pretensões mais absurdas. Indagavam sobre o que deveriam plantar, sobre o que deveria comer, sobre tudo o que deveriam fazer. Portanto, acabaram ficando dependentes desses conselhos. Não faziam nada sem antes consultar o Oráculo. O resultado é que se tornaram pessoas fracas, indecisas e escravas das opiniões dos outros…

O senhor fez uma pausa para ir até seu armário pegar mais sementes. O jovem permanecia atento. Em seguida o Oráculo voltou a narrar sua história:

— Eis que surgiu o dragão e ninguém mais de sua gente pode atravessar o rio e subir a este monte. Seu povo caiu na melancolia e passou a viver afogados nessa tristeza.

Humm… Estava explicado o porquê do Reino Melancólico. Mas o jovem fez uma observação:

— Mas, senhor, eu sei de alguém que conseguiu atravessar o rio, mesmo depois do surgimento do dragão…

— Eu também sei! — interrompeu o Oráculo. — Você e a Princesa Carol conseguiram isso!

O rapaz ficou um tanto desapontado e até pensou: "Será que o Oráculo não sabe do meu avô?"

— Sim, eu sei do seu avô. — o velhinho disse. — Seu avô, o melhor músico daquelas bandas, atravessou o rio hipnotizando o dragão com sua música e subiu até aqui.

Oráculo lhe revelou a mesma história: que as pessoas daquele reino estavam viciadas em consultar o Oráculo e deixaram de procurar por si mesmas as respostas da vida de que precisavam para se desenvolverem.

— E o que aconteceu com ele? — o rapaz perguntou.

O velho de novo levantou-se, foi até seu armário, abriu um velho baú e de lá retirou um instrumento.

— Uma harpa? — o jovem exclamou, admirado — A harpa do meu avô?!

O velhinho então começou a dedilhar o instrumento, reproduzindo uma bela melodia.

Lágrimas tomaram conta dos olhos do jovem artesão, que então se levantou dizendo:

— Vovô?

O velhinho respondeu, ao mesmo tempo em que tocava sua harpa:

— Quando aqui subi, o Oráculo que habitava esta caverna já estava desfalecendo. Então ele me pediu para assumir seu posto, pois muita gente viria de todas as partes do mundo para se consultar. E, embora muitos viessem por causa de questões banais, outros vinham porque precisavam de ajuda para resolver questões realmente sérias.

O velho aproximou-se do neto e lhe abraçou com carinho:

— Ou eu assumia essa função, ou o mundo ficaria sem o Oráculo. Eu tive que me sacrificar por isso, mas sabia que algum dia, meu povo entenderia.

O neto do Oráculo então exclamou orgulhoso:

— O senhor é um herói, vovô! Um grande herói.

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