Carol e a Invenção do Chocolate

Escrita por Ery Lopes

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Capítulo 16


O retorno triunfal

 

O rapaz estava bastante contente, mas percebeu que a moça mostrava certa tensão.

— Algum problema, Alteza?

— É que… É que eu não vejo a hora de comer uma barra de chocolate novamente!

Pois é, o artesão até tinha se esquecido desse detalhe. Mas agora, até ele voltou a ficar com desejo de também comer daquele doce irresistível.

— Tenha calma — disse ele, tentando confortar a princesa —, estaremos em casa em instantes. A propósito, que solução deu o Oráculo para o problema da maldição do chocolate?

Antes que a princesa respondesse, do meio da mata surgiram os cavaleiros do palácio para resgatar a jovem herdeira. Eles a colocaram numa carruagem, mas não permitiram que o rapaz a acompanhasse.

— Não temos autorização para levá-lo conosco! — disse o capital da guarda.

A princesa até que protestou, porém os cavaleiros não mudaram de opinião. Em compensação, deram-lhe um cavalo para que ele seguisse seu retorno de volta a sua casa, enquanto a princesa era levada para o palácio real.

 

* * *

 

A notícia do retorno da princesa deixou todo o reino contente e as pessoas foram às ruas para acompanhar o trajeto da carruagem até o palácio, onde a moça foi recebida com muita emoção e alegria pelo rei e pela rainha, bem como por todos que ali trabalhavam. Quando lhe perguntaram se estava tudo bem, ela respondeu prontamente:

— Sim, mas eu estou com uma vontade enorme de comer chocolate!

A doceira do palácio não demorou em lhe trazer uma enorme barra do doce, que a princesa simplesmente devorou.

Enquanto isso, lá fora, a multidão aguardava um pronunciamento real e — claro — pela resposta que a princesa trazia do Oráculo sobre a tal "maldição do chocolate", já que ninguém resistia ficar muito tempo sem aquela deliciosa iguaria. Por isso, a princesa apareceu na sacada do palácio e então revelou a todos o antídoto contra a maldição daquele doce:

— Querido povo deste reino, o Oráculo nos apresentou uma solução sim: trata-se de uma coisa simples e ao mesmo tempo eficaz, de modo que todos nós poderemos continuar nos deliciando com o chocolate, sem sofrermos com o inchaço físico…

A euforia tomou conta daquela gente, que então entoou um coro comum:

— Conta, conta, conta!…

Logo mais fizeram uma pausa e a Princesa Carol prosseguiu:

— Disse o Oráculo que a receita do chocolate é repleta de energia, muita energia; que essa energia realmente nos transborda de uma sensação de alegria… Disse então o Oráculo que nós não podemos sufocar toda essa energia dentro da gente e, ao contrário, devemos gastá-la, compartilhando nessa alegria com os demais, com as pessoas a quem amamos; que para cada pedaço de chocolate que comermos, temos a obrigação de abraçar, beijar e fazer muito carinho às pessoas que nos cercam. A maldição do chocolate é a do egoísmo, é a de uma pessoa nunca se importar com os outros. Porém, a magia do chocolate é justamente a de compartilharmos o amor e o carinho com nossos entes queridos.

Mal ela acabou de falar, um cidadão gritou no meio da multidão:

— Viva o amor e o chocolate!

— Viiiiiva! — respondeu o restante do povo.

O rei mandou distribuir barras e barras de chocolate e as pessoas começaram a se abraçar; amigos, parentes e namorados compartilhavam do doce e do carinho entre eles.

 

* * *

 

Toda a gente da Carolândia festejava a descoberta da magia do chocolate e do amor. Todo mundo, exceto um cidadão. Afastado da multidão, ele observava aquela algazarra toda, tendo em suas mãos uma harpa, a qual ele tocava, bem baixinho, uma melodia melancólica. Ninguém parecia notar sua presença ali.

 

* * *

 

No palácio real, o rei e a rainha trocaram carinhos entre si e depois encheram a princesa de beijos e abraços. Então a soberana rainha exclamou para a princesa:

— Se depende de nosso carinho, filha, poderemos comer todo o chocolate do mundo e não mais sofreremos da maldição.

E o rei completou a fala da rainha:

— E você poderá comer bastante chocolate e gastar a sua magia beijando sua mãe e seu pai!

A Princesa então fez uma cara mais séria, deu um passo para trás e logo depois falou:

— Bem, certamente que eu os encherei de beijos, abraços e sincero afeto, porque agora são meus pais…

— E o que mais tem a nos dizer? — a mãe perguntou desconfiada.

— É que há alguém nesse reino com quem eu muito desejo compartilhar da magia do amor…

O rei foi logo inquirindo:

— E de quem se trata?

A Princesa Carol voltou até a sacada do palácio e mostrou aos seus pais o jovem harpista, num canto afastado da multidão.

— Ele é o verdadeiro herói deste reino — disse ela.

Depois que ela narrou toda a façanha da travessia do Rio do Dragão Melancólico, o rei ordenou que tocassem as trombetas e o povo silenciou para ouvir o pronunciamento real:

— Povo da Carolândia, a nossa festa está apenas começando, pois além da revelação da magia do chocolate, todos nós temos uma celebração especial a comemorarmos…

A essa altura, os guardas do palácio já tinham sido instruídos a buscar o jovem artesão, carregado nos ombros, como se costumava levar um herói.
Ao entrar no palácio, o músico foi prontamente abraçado pela princesa, que se adiantou em dizer:

— Quero gastar muito chocolate com você!

— Que façam então bastante chocolate para nós! — respondeu ele, todo feliz, beijando-a com toda ternura.

Logo mais o rei apresentou aos seus súditos o herói do reino e agora noivo da sua filha. O povo aplaudiu o mais novo casal da Carolândia e a festa continuou ao som de harpas, tambores e a doce voz da Princesa Carol — e, é claro, ao sabor de chocolate.

 

Fim

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