
Escrita por Ery Lopes
Numa manhã dessas, Clarice acordou gripada, com a garganta inflamada e uma moleza no corpo. Tanto que sua mãe não queria que ela saísse para o quintal.
A menina protestou:
— Mas eu preciso ver o meu amigo Girassol, mamãe!
Sua mãe não concordou com a ideia e disse:
— Só que você está doentinha. É melhor ficar quietinha na cama, até você se recuperar.
— Por favor, mamãe! — Clarice insistiu — Eu preciso ver meu amiguinho, só um pouquinho! Você deixa?
— Está bem! — a mãe concordou — Mas só um pouquinho, combinado?
Clarice respondeu logo.
— Sim.
E quando a menina chegou ao cantinho do quintal onde havia plantado o girassol, foi logo dizendo:
— Bom dia, meu amiguinho. Hoje eu não estou muito bem. Acordei doentinha e minha mãe não quer me deixar ficar aqui fora por muito tempo.
— Ela está certa! — falou o amigo girassol — E você tem que obedecer a sua mãe! Precisa se recuperar! Mas não se preocupe: é só uma gripe.
Antes que a menina voltasse para o quarto, o girassol falante lhe pediu uma coisa:
— Chegue mais pertinho um instante que eu vou fazer uma coisa por você.
Ela atendeu ao pedido do amigo e, aproximando-se da flor, perguntou:
— O que você vai fazer?
— Vou te passar um pouco de energia.
— Energia? — Clarice repetiu.
O girassol explicou:
— Os girassóis giram em direção ao Sol para pegar energia dele. Depois, nós pegamos essa energia e a espalhamos para as pessoas que estão por perto de nós. E quando tem uma pessoa muito querida por perto, então essa energia vai com mais carinho.
A menina bem que sentiu um calorzinho saindo da flor, vindo em sua direção. Seu rosto até ficou quentinho.
— Obrigada — disse a menina.
Sendo assim, Clarice voltou para sua cama. Sua mãe lhe trouxe um chazinho com medicamento e ela adormeceu de novo.
Horas depois, ela acordou com a saúde de sempre. Sua mãe ficou até espantada com aquela recuperação tão rápida. Mas Clarice tinha uma certeza:
— Mamãe, o meu amigo girassol me passou tanta energia e carinho que eu fiquei boa da gripe rapidinho.
— Foi seu amigo girassol, foi? — a mãe perguntou — Será que não foi o meu chazinho com remedinho, não?
A filhinha respondeu:
— O seu chazinho também ajudou, mamãe!
— Ah, bom! — a mãe exclamou.
Porém, Clarice completou:
— Mas nada como o carinho e a energia do meu amiguinho!
Por um momento a mãe de Clarice ficou enciumada com a aquela plantinha, mas o ciúme demorou pouco, afinal, a mulher estava muito contente com a recuperação da garotinha.