O Girassol Falante

Escrita por Ery Lopes

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Capítulo 10


Triste anúncio

 

Passando os dias, Clarice foi percebendo que a voz do seu amigo girassol se modificava, tornando-se cada vez mais grossa. Aqueles sussurros de bebê viraram voz de menino, depois para o timbre de um jovenzinho, em seguida para a voz de um homem adulto e agora o girassol amigo falava com um senhor, um velhinho, como seu avô.

Além do mais, a flor já não se movia tão facilmente e estava perdendo a sua cor brilhante, como era antes.

Ela então compreendeu que a flor estava envelhecendo, como acontece com as pessoas, só que o tempo passando muito mais rapidamente.

— Você está envelhecendo? — ela perguntou.

O girassol — agora, um senhor girassol — respondeu:

— Sim, minha amiguinha. Eu nasci, cresci e agora estou definhando.

— Definhando? — indagou Clarice — O que quer dizer definhando?

O girassol explicou:

— Definhando quer dizer que estou perdendo as forças, murchando, até…

Por que a flor se calou, a menina questionou:

— Até o quê?

— Até… até que chegue a hora de…

O girassol parecia não conseguir mais falar.

Clarice tentou adivinhar:

— Até se acabar? É isso? Você vai morrer e me deixar?

A menina já estava com os olhos cheios de lágrimas quando o girassol retornou a falar:

— Tudo na natureza é assim, minha amiguinha: nasce, cresce e se vai, para depois poder renascer.

— Eu não quero ficar sem você, meu amigo!

— É preciso que seja assim, querida. Mas eu tenho um segredo para te contar.

A menina ficou curiosa e depressa pediu:

— Então me conte logo!

— É que quando a gente ama, a gente não morre. Nossa alma permanece, e com ela, nós guardamos todos os sentimentos.

Então, ela quis saber:

— E para onde você vai?

— Vou renascer em algum quintal por aí, quando uma criança plantar alguma semente de girassol com carinho.

Clarice rapidamente propôs ao amigo:

— E se eu plantar outra sementinha de girassol? Você virá novamente para cá?

O girassol parecia um pouco triste, mas conseguiu responder assim:

— Não, querida amiga! Não poderei nascer no mesmo quintal.

— Por que não? — perguntou Clarice.

— Porque eu preciso nascer em outro quintal para poder fazer uma nova amizade e despertar o carinho e a sensibilidade de outras crianças. Essa é a minha missão neste mundo. E, de igual maneira, você poderá fazer novos amigos, mas não mais com girassóis ou outras flores, pois as flores são frágeis e duram pouco: você precisa de amigos como você, com alma de gente, com quem possa ficar mais tempo e fazer todas as coisas que os girassóis não conseguem fazer.

Muito tristonha, ela comentou:

— Eu vou sentir sua falta!

O senhor girassol falante replicou:

— Eu também, mas o nosso sentimento vai continuar para sempre. A vida é feita de chegada e partida. E toda vez que você sentir muita saudade, espalhe energia e carinho a todos ao redor. Toda vez que fizer isso, eu sentirei a sua presença e você poderá sentir a minha. Além disso, você poderá se lembrar de mim sempre que vir o Sol.

— E quando é que você se vai? — a menina inquiriu.

A flor concluiu:

— Qualquer dia desses. Mas, não se esqueça de que eu nunca estarei acabado, enquanto durar o sentimento.

Clarice voltou para o interior da sua casa muito tristonha.

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