Não Abra a Pirâmide

Escrita por Ery Lopes

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Capítulo 9


De volta ao museu

 

De tarde, depois do almoço da vovó — sempre delicioso —, lá estavam eles na porta de entrada do Museu Municipal: Emerson, o pai e o avô, além, é claro, do restante do público, dos guias da exposição, e do curador.

— Você por aqui de novo, rapazinho? — disse o curador, com a empolgação de sempre.

— Sim! — Emerson respondeu também feliz.

— Algo em especial te trouxe de volta à nossa exposição?

— Para falar a verdade, sim. Além de querer trazer meu pai e meu avô para ver a exposição, tem uma coisa aí dentro que me chamou bastante a atenção.

O curador ficou curioso e perguntou:

— E eu posso saber o que é?

Quando Emerson se preparou para responder, o próprio curador o interrompeu dizendo:

— Não me diga agora. Entrem e lá dentro, quando estiver diante da peça especial, você poderá me dizer mais sobre ela, combinado?

— Combinado! — Emerson concordou.

Eles entraram no museu e começaram a fascinante jornada, como se estivessem viajando ao passado por aquele túnel do tempo.

O pai de Emerson acabou ficando curioso para saber que objeto ali exposto tinha despertado atenção especial no filho, especialmente porque o garoto parecia estar muito apressado para chegar até lá. Por isso o pai indagou:

— Filho, não vai nos contar qual é a coisa especial dessa exposição?

— Contar não, eu vou mostrar! — Emerson respondeu já apontando para a pirâmide envelhecida.

Seu avô não ficou nada impressionado e disse:

— Mas é só uma velha pirâmide!

Porém o menino retrucou:

— Não, vovô, as pirâmides eram coisas importantes para as pessoas de antigamente. Elas guardavam segredos e coisas valiosas ou coisas terríveis.

— Como as pragas do Egito? — disse o pai, em tom de gozação.

— Pode ser, pai. E parece ser o caso dessa daí.

— Por que está dizendo isso, filho?

Emerson fez uma cara de suspense, demorou um pouco e depois respondeu:

— Está vendo a inscrição nessa face da frente?

— Sim… — o pai confirmou, mas sem empolgação.

Emerson continuou:

— É a mesma inscrição que está na lateral de trás.

Eles rodearam completamente a pirâmide e conferiram que realmente dois lados dela continham a mesma sequência de hieróglifos. Daí o rapazinho questionou:

— Sabem o que significam esses símbolos?

— Não…

— Significam "Não abra a pirâmide".

O pai achou que o filho estava fantasiando, mas ficou surpreso quando Emerson tirou do bolso uma folha de papel com os rabiscos que havia feito durante a sua pesquisa de tradução, dos hieróglifos para o latim e do latim para o português.

— Vocês querem saber o que significam as outras inscrições laterais?

Pai e avô responderam juntos:

— Sim!

O jovenzinho então começam a fazer sua explanação sobre a tradução e como a descobriu.

— "A virtude é para os eleitos…" — seu avô repetiu — Sim. No tempo antigo o conhecimento das coisas e a sabedoria espiritual eram segredos guardados somente para as pessoas escolhidas pelos faraós. O povão não sabia de nada a não ser trabalhar.

— Ainda hoje é mais ou menos assim — o pai ironizou.

O vovô agora estava curioso e lançou a indagação:

— E o outro lado, o que diz?

Emerson voltou os olhos às anotações no papel e leu:

— "O infrator sempre paga o preço pela violação".

Seu avô resolveu decifrar o enigma:

— Isso quer dizer que dentro dessa pirâmide deve haver uma coisa bem valiosa, ou importante: uma virtude; e ninguém pode abri-la, a não ser que seja um dos escolhidos; se algum intruso abrir a pirâmide, será punido por essa violação.

— Sim! Isso faz sentido! — animou-se o garoto.

O pai de Emerson continuou sério:

— Calma, gente, isso é só uma historinha.

Mas além destes, mais alguém estava de olho nos rabiscos de Emerson: era o curador da exposição, que foi logo pegando aquele papel e falando:

— Mas vejam só isso…! Foi você, garoto, quem descobriu essas coisas?

— Sim, eu mesmo — Emerson respondeu orgulhoso.

— Ora, ora, temos um arqueólogo nato aqui! Como chegou a esse resultado?

Emerson respondeu com naturalidade:

— Ora, pela internet! Está tudo lá!

Os olhos do curador até brilhavam ao ver aqueles rabiscos, impressionados com a capacidade do garoto e, especialmente, com a tradução daquelas inscrições. Ele começou a sussurrar enquanto volteava a pirâmide, olhando-a com total atenção:

— Mas como é que eu não reparei essa pirâmide antes…? Deve haver mesmo algo muito… valioso… ou importante… dentro dela…

O curador estava tão impressionado que o pai de Emerson começou a pensar que ele não batia bem das ideias. Por isso, sugeriu:

— Por que não continuamos nossa aventura do tempo?

Emerson pensou em reclamar de volta o papel que o curador lhe tirou da mão, mas desistiu. Afinal, toda a pesquisa estava registrada em seu computador. Além do mais, ele já sabia décor o significado daquelas representações.

Então filho, pai e avô continuaram o passeio, enquanto o curador estava quase babando a pirâmide, parecendo uma criança que acaba de ganhar um belo brinquedo de presente, repetindo:

— A virtude é para os eleitos! A virtude é para os eleitos!…

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