
Escrita por Ery Lopes
Retornando do divertido passeio no museu, nossos amigos conversam sobre outros interessantes artigos que viram na exposição, mas o garoto Emerson de vez em quando voltava a falar sobre a pirâmide.
— Vovô, o senhor acha mesmo que dentro dela há algo valioso?
— Eu acho que sim! — respondeu o senhor, demonstrando que dava importância ao caso.
O pai do menino, ao contrário, começou a ficar preocupado se o filho não estava levando aquela estória a sério, pois sabia o quanto o rapazinho ficava encasquetado com uma ideia que ele julgasse relevante. E certamente ele já estava obsecado por aquela pirâmide, porque não parava de olhar para trás, como que querendo voltar à sala onde a peça estava exposta.
— Bem, já chega de pensar naquela pirâmide — disse o pai —, até porque agora a exposição deve seguir viagem por outros museus, para que outras pessoas possam curti-la.
Emerson perguntou ligeiro:
— Então a pirâmide vai embora?
— Sim. — seu pai respondeu — É assim que funciona. As exposições vão passeando de museu em museu.
— E se dentro dela houver uma maldição?
O avô entrou na conversa para tranquilizar o menino:
— Mas ninguém vai abrir a pirâmide, meu pequeno!
— Vovô, as pessoas nem sequer sabem o que as inscrições querem dizer. E se alguém a abrir sem querer, tipo, por acidente?
O senhor respondeu calmamente:
— Se ela for aberta por acidente, então não será uma violação. Logo, a maldição não pega nesses casos.
— Não sei não…
Emerson estava mesmo preocupado com o destino da pirâmide e o seu pai ficou sossegado por eles terem chegado de volta à casa da vovó, na esperança que o seu filho esquecesse aquela estória.
Porém o menino não esqueceria tão cedo.