
Escrita por Ery Lopes
Novo clarão envolveu Melissa e Messi e em instantes eles partiram da Terra Santa. Mas o paradeiro deles não saiu como o combinado.
Nada de parque de diversão e nem de Mickey Mouse! Eles estavam na escuridão de uma noite bem estrelada em uma praça oriental.
— Papai, o que houve? — perguntou a menina.
Pela pulseira comunicadora, ela ouviu a resposta do pai:
— "Humm…! O sistema pirou novamente. Vocês estão muito longe da Disneylândia."
— Isso nós podemos deduzir facilmente. Pelo estilo dos prédios, as luminárias na praça e os letreiros, tudo indica que estamos no Japão. Estou certa?
— "Não, na verdade. Está em na Praça da Paz Celestial em Pequim, China. Ah, meninos, esse lugar aí tem muitas histórias pra contar a vocês!..."

Em seguida à fala do pai, Messi descreveu:
— A área aberta da praça é um lugar incrivelmente gigante. Tem um belo palácio vermelho do outro lado da avenida. Mas não fui muito com a cara do careca da foto pregada na entrada.
— "Psiu!" — A mãe alertou — "Não é nada seguro falar mal desse cara aí".
— Não tem problema, mãe: está totalmente deserto aqui. Somos só nós e uma imensidão de estrelas no céu.
— "Outro lado do mundo, fuso horário oposto ao nosso. Ou seja, altas horas da noite, filho."
De repente, os meninos ouvem um apito.
— Ajuda a gente, mãe! — apelou Melissa — Tem dois guardas nervosos vindo em nossa direção.
— "Bem, a china tem muita coisa interessante de se ver, mas acho que essa não é uma boa hora para um tour, certo? Então vamos ver se o sistema vai cooperar com a gente agora…"
A máquina teletransportadora foi acionada e o clarão imediatamente arrancou os dois irmãos de Pequim e os levou para outro lugar. No caso, uma fazenda de gado.
Um tanto tonta da viagem, Melissa pergunta:
— Pai, mãe, para onde vocês nos trouxeram agora?
— "Não temos certeza, filha!" — respondeu o pai "O sistema de GPS não está nos mostrando a localização."
— Como assim? — a menina replicou assustada.
— "O localizador parece não estar conseguindo detectar a posição de vocês. Podem descrever o lugar, para termos uma ideia da sua localização?"
O menino se adiantou:
— Estamos numa fazenda, muitos currais e… gado, muito gado. O céu está claro e, pela posição do sol, deve ser mais ou menos meio-dia…
— "Então devem estar em nosso continente. Alguma placa, alguma casa, alguém por aí, Messi?"
— Nada, pai. Só gado comendo capim e muitas montanhas ao longe!
A menina completa:
— As únicas inscrições que vemos aqui são as ferradas nos bois e vacas.
Daí foi a vez da mãe dela falar:
— "São os nomes deles, querida. Pode ler os seus nomes para nós?"
— Deixe-me ver…
Melissa se aproximou de um dos cercados e passou a descrever os nomes:
— Dariling… Candy… Bill Cosby…
— "Devem estar nos Estados Unidos. Muito provavelmente no Texas e bem distante da Disneylândia!"
É, mas a brincadeira só estava começando.
Melissa resolveu fazer um carinho em uma vaca para que seu irmão registrasse a cena numa foto. Aconteceu que a vaca parece não ter gostado da ideia e se contorceu toda. Nisso, a ponta do seu chifre acabou riscando o braço da menina. E o pior é que, com esse movimento brusco, a vaca acabou arrancando a pulseira eletrônica de Melissa.
— Minha pulseira caiu lá dentro do curral! — exclamou a mocinha assustada.
— Xi, e agora? — seu irmão perguntou.
— Vai lá pegar, irmão!
— Eu? Imagine! Veja só como a vaca está brava conosco.
A vaca sapateava pra lá e pra cá, a ponto de pisar e esmagar o dispositivo.
— Sem a pulseira, não tem como o papai me tirar daqui!
Pela pulseira de Messi, o pai pediu:
— "Calma, filha! Vamos dar um jeito!"
A mãe explanou sua ideia:
— "Melissa, vá para outro lado qualquer do cercado e faça alguma coisa que chame a atenção dos bichos. Nesse tempo, Messi entra e resgata a pulseira".
— Boa ideia, mãe! — a menina disse — Mas o que eu faço para chamar a atenção dos bichos?
Messi brincou:
— Cantar não, porque senão os bichos vão ficar ainda mais bravos…
— Eu canto melhor do que você! — Melissa se defendeu.
Ela então deu a volta naquele cercado e começou a falar com o gado. Depois, cantou, dançou, pulou… Nada. Os bichos nem deram bola para ela e permaneceram onde estavam, rodeando a pulseira.
Pouco tempo depois, ela teve uma ideia. Voltou para junto do irmão e pediu:
— Me empresta sua camiseta.
— O que? O que vai fazer com minha camiseta? Vai tentar negociar com os bichos?
— Me empresta e você verá.
Messi tirou sua jaqueta, depois a camiseta e a entregou à irmã, que voltou para o outro lado. Foi nessa hora que ele entendeu o plano dela: sua camiseta na frente tem uma estampa colorida, mas a parte de trás dela é toda vermelha. Sua irmã então foi usar aquela peça de roupa como a toalha que os toureiros usam para atrair os bichos.
E deu certo. Com poucos acenos Melissa conseguiu fazer com que o gato todo corresse em sua direção, do outro lado do curral. Com a área livre, seu irmão então criou coragem de entrar no cercado e recuperar o dispositivo.
— Consegui! — exclamou ele todo orgulhoso.
— "Parabéns, herói!" — seus pais disseram juntos.
De súbito, três cavaleiros apareceram. Um deles berrou em inglês o que foi traduzido assim pelas pulseiras:
— "O que você está procurando na minha fazenda?"
O garoto respondeu trêmulo:
— Eu… eu posso explicar…
— "O que disse? Não entendi nada do que disse!"
Logo mais, ambas as pulseiras começaram a apitar, emitindo o sinal de alerta de bateria com baixa carga de energia.
Os homens começaram a falar entre si, mas o menino ficou sem entendia, pois a pulseira já não estava traduzindo mais nada.
Numa transmissão bem ruim, com a voz cortando, o comunicador reproduziu a última mensagem do pai dos meninos:
— Mess… a bateri… preciso tirar vocês daí… vá… sua irmã…
Messi saiu correndo em direção da sua irmã, que se escondia do outro lado do cercado. Então ela também correu ao encontro dele, que era seguido pelos fazendeiros.
— Who are you? — perguntou o mais velho dos homens.
Enquanto Messi recolocava a pulseira no braço da moça, ela arriscou gastar seu inglês:
— Please, I can explain!
Longe dali, na casa dos cientistas, pai e mãe se mobilizavam para ajustar o teletransportador para trazer os aventureiros de volta ao lar.
— A bateria restante só suporta mais duas ou três viagens. — disse o pai.
Verificando a cabina do dispositivo, a mãe responde:
— Vamos acionar a força máxima e arriscar numa só tacada e trazê-los para cá.
— Ah, querida, e se der errado e eles foram parar mais longe ainda?
— Vamos arriscar! É tudo ou nada! Configurou o destino aí no sistema?
— Sim.
Confiante e ao mesmo tempo com medo, a mulher acionou o botão de teletransporte.
Lá no Texas, as pulseiras receberam os impulsos do sistema e desencadearam o clarão viajor. O brilho forte irritou os cavalos e estes empinaram, derrubando os três fazendeiros. Quando eles se levantaram e não viram ninguém mais ali, olharam espantados uns para os outros e depois desmaiaram os três.